
O Islam não define o tipo específico de roupa para ser usada pelos muçulmanos. É preferível vestir como se veste a sociedade onde se vive, exceto para aquilo que o Islam proíbe.
O Islam é a religião do senso comum e protege as inclinações naturais e benéficas do ser humano. Daí que somente legisla em concordância com esta natureza saudável, o que é senso comum e razoável.
A princípio, toda vestimenta e adorno são lícitos:
O Islam não ordena uma vestimenta definida para as pessoas, senão que aceita na vestimenta toda manifestação cultural popular que preencha os requisitos das vestes sem abusos, excessos ou extravagâncias.
O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) vestia a mesma roupa que seu povo costumava vestir em seu tempo. Desta forma, não ordenou nem proibiu que nos vestíssemos de uma forma específica, senão que proibiu certas características prejudiciais nas roupas. Por isso, no Islam, o princípio da licitude na vestimenta é uma norma e a proibição é uma exceção que deve ser provada com textos sagrados. O contrário acontece com os atos de adoração, o princípio, por norma, é a proibição de todo ato, a menos que exista um texto sagrado que o ordena.
O Profeta de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Comei, sê caritativo e vesti sem abuso ou opulência” (An-Nasai, 2559).
As vestimentas ilícitas
1
A roupa transparente que revela as partes íntimas que não devem ser mostradas: o muçulmano deve cobrir seu corpo com roupas opacas (que não sejam transparentes), assim como disse Allah, o Altíssimo: “Ó filhos de Adam! Enviamo-vos vestimentas para que vos cobrissem” (Alcorão, ‘Araaf, 7: 26).
O Islam define as partes que devem ser cobertas e ocultadas tanto dos homens, quanto das mulheres. O homem deve cobrir até seus joelhos, enquanto a mulher deve cobrir, diante dos homens estranhos, todo o corpo, exceto mãos e rosto.
Também não é permitido vestir roupas apertadas que cheguem a marcar as partes do corpo, nem roupas transparentes que mostrem a pele debaixo delas. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele), a propósito da roupa transparente e apertada, ameaçou aqueles que usam com o castigo do Dia do Juízo, disse: “Dois tipos de habitantes do Inferno que ainda não vi (e mencionou): as mulheres que ao vestirem-se parecem nuas...” (Muslim, Baihaqi e Ahmad).
2
Vestir o que é próprio do sexo oposto, quer dizer, homens que usem roupas exclusivamente femininas e mulheres que usem roupas exclusivamente masculinas, é um ato ilícito e um pecado grave. Assim como se proíbe assemelhar-se ao outro sexo nas maneiras de falar, andar e mover. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) amaldiçoou o homem que se veste como mulher e a mulher que se veste como homem (Abu Dawud, 4098). Também amaldiçoou os homens que tentam se assemelhar às mulheres e vice-versa (Bukhari, 5546); entende-se pela maldição, a privação da misericórdia de Allah. Desta maneira, o Islam incentiva a preservação da natureza nata do homem e da mulher, tendo cada um suas próprias maneiras, de acordo com os ditames da natureza e o bom juízo.
3
Também é ilícito vestir imitando os devotos de outras religiões e a certos não muçulmanos, quer dizer, por exemplo a vestimenta dos monjes, dos curandeiros, carregar uma cruz no pescoço, etc. o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Quem pretende se assemelhar a uma comunidade será parte dela” (Abu Dawud). Nesta proibição se inclui toda vestimenta que contenha símbolos e referências características de outras religiões ou ideologias; este comportamento, na realidade, é sintoma de falta de fé, autoestima e personalidade.
Entretanto, não entra nesta proibição o muçulmano que se veste como a maior parte de sua sociedade, ainda que não sejam majoritariamente muçulmanos. Pois, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) se vestia como a maioria dos árabes de seu tempo, especialmente a tribo de Quraish, a qual pertencia, exceto naquilo que ele mesmo proibiu (por exemplo a opulência e ostentação).

É ilícito vestir roupas exclusivas de outras comunidades religiosas.
4
É ilícita a roupa que caracteriza altivez e arrogância. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Não entrará no Paraíso quem tenha, em seu coração, um grão de arrogância” (Muslim, 91).
Por esta razão, o Islam proibiu arrastar a roupa no chão e vestir roupas muito longas, caso isto seja um demonstrativo de arrogância e vaidade. O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Allah não olhará, no Dia do Juízo, para aqueles que arrastem sua roupa pelo chão em sinal de arrogância” (Bukhari, 3465 e Muslim, 2085).
Assim como proibiu a vestimenta “vaidosa”, seja porque provoca críticas por sua raridade, cor ou porque é luxuosa e ostenta vaidade e arrogância da parte daquele que a veste. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Quem veste uma roupas de vaidade, nesta vida, Allah o vestirá com roupas de humilhação no Dia da Ressurreição” (Ahmad, 5664 e Ibn Majah, 3607).
5
O Islam proíbe aos homens vestirem roupas de seda ou ouro, ou que contenham ambos ou um destes elementos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Estes dois elementos são ilícitos para os homens de minha comunidade e lícitos para suas mulheres” (Ibn Majah, 3595 e Abu Dawud, 4057).
A seda proibida para os homens é a seda natural que o bicho da seda produz.
6
A roupa cara e que é símbolo de desperdício também é ilícita no Islam. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Comei, sê caridoso e vesti bem sem excesso, nem presunção” (Nasai, 2559).
Há que se levar em conta a situação econômica de cada pessoa, porque uma pessoa rica tem condições de comprar uma certa roupa que um pobre não poderia. Isso não é considerado um excesso, desde que se mantenha o princípio da humildade e do cumprimento das responsabilidades.

Está proibido desperdiçar dinheiro na compra de roupas, mas isto depende dos proventos da pessoa e de suas obrigações.